CONCEITUAÇÃO, CARACTERIZAÇÃO E TIPOLOGIA DO BULLYING ESCOLAR

    Bullying escolar é o nome de um fenômeno difícil de ser detectado porque sua prática às vezes é velada, sendo confundido com violência escolar, mas com grande poder destrutivo.

O que é bullying?

    É um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, sem motivação evidente, adotados por um ou mais alunos contra outro, causando dor, angústia e sofrimento e executados dentro de uma relação desigual de poder.
    Simplificando, bullying é uma forma intencional e repetitiva de atitudes cruéis feitas por um ou mais alunos contra outro aluno.

O que é bully ou bullies?

    Bully é o indivíduo que pratica bullying; Bullies é o plural desse termo.
    Bully significa “valentão”, caracterizando o indivíduo como muito valente, decidido, intrépido, afoito, turuna, audaz, corajoso, que não tem medo, destemido. Porém, essas qualidades são usadas para abuso de poder, para tiranizar, praticar crueldade, oprimir, perseguir. O bully é extremamente impiedoso, insensível à dor do outro e totalmente desprovido de amor.

Como caracterizar o bullying?

    Caracteriza-se pela prática de maus-tratos entre colegas de escola, repetidos com frequência superior a três vezes durante o ano letivo.

Onde ele ocorre?

    Em todos os ambientes escolares, com maior frequência na sala de aula, seguido do pátio de recreio, corredores, banheiros e transporte escolar.

Como identificar a vítima – o papel do educador

    Observar atentamente as relações interpessoais. Nos trabalhos em grupo ou jogos é o último a ser escolhido, é alvo de “zoação”, caçoada, apelidos, é triste, deprimido, aflito, ansioso, irritadiço, agressivo, apresenta súbita queda no rendimento escolar, não faz perguntas, não tira dúvidas, tem desinteresse pelos estudos, falta com frequência às aulas, apresenta arranhões, ferimentos, isola-se dos demais, apresenta material escolar e roupas danificados, é intimidado, perseguido ou maltratado. Observar suas reações e expressão fisionômica quando atacado.

Como identificar o filho vítima – o papel da família

    Não quer ir à escola, pede para mudar de escola, não gosta da escola, na segunda-feira está triste, chora sem razão, tira notas baixas, pede dinheiro sem necessidade, tem pesadelos, pede para ser levado à escola, perde dinheiro e pertences, apresenta roupas e livros rasgados, some objetos de sua casa, apetite obsessivo, não convida amigos para ir a sua casa, fica aliviado na sexta-feira, feriados e férias, simula dores e mal-estar, muda o trajeto, comenta que o professor é chato, não é convidado para festas ou casa de amigos, tem medo de ir e voltar sozinho, tem “ar” de assustado, tranca-se no quarto, isola-se, tem uma tristeza profunda.

Como identificar as possíveis causas que faz um estudante ser um agente do bullying

    Espera que todos façam suas vontades, que suas ordens sejam atendidas, gosta da sensação de poder, tem dificuldade de relacionamento, sofre intimidações, é maltratado em sua casa, vive sob pressão, é humilhado pelos adultos, sente-se inseguro e inadequado, já foi vítima de algum tipo de abuso.

Como identificar quem é alvo do bully

    Geralmente apresenta físico frágil, muito baixo ou muito alto, usa óculos, obeso, muito magro, apresenta deficiência física, têm muitas espinhas, timidez, introvertido, tira notas altas, é muito bonita, tem traços diferentes do “padrão” nos aspectos culturais, étnicos ou religiosos. Os obesos e os tímidos são os alvos principais.

Como agir se seu filho é o agressor

    Mantenha a calma, não ignore a situação, não o agrida, nem o intimide, pois ele precisa de ajuda. Entre em contato com a escola; converse com professores e amigos que ajudem a identificar o problema, dar orientações e limites firmes para controlar seu comportamento, encorajar a pedir desculpas ao colega que ele agrediu, valorizar sua autoestima, criar situações em que ele se saia bem, elogie e o ame.

Como agir se seu filho é vítima

    Se você suspeita que seu filho está sendo vítima de bullying, procure conversar com ele e encoraje-o a falar. Se ele relatar por si próprio, acredite nele. Transmita-lhe confiança e com a aprovação dele procure o professor ou a direção escolar.


Autora: Aloma Ribeiro Felizardo. Texto extraído do livro Bullying: o fenômeno cresce! Violência ou brincadeira? Pinhais: Ed. Melo, 2011.

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